espiritualidade e vida cristã · viagem

Provação, aprovação, reprovação

Colagens2

Procura apresentar-te a Deus aprovado”– 2 Tm 2.15

A caminhada com Deus é uma escola, ensinou-me meu pastor. Nesta escola, de tempos em tempos, teremos testes para realizar e perceber o quanto já crescemos com Cristo e o quanto ainda nos falta ser transformados.

Quando nos dispomos a passar por esta escola, o Senhor mesmo tomará a tarefa de ensinar as lições que precisamos aprender e nos capacitará a passar pelos testes. Ele virá até nós com papel e caneta e com as questões que irão mostrar, num nível de um a dez, quanto já nos parecemos com Jesus. Porém, diferente de nossos professores do Ensino Médio, enquanto estamos respondendo nossa prova, o Senhor permanece sentado ao nosso lado, disponível para ajudar naquelas questões mais difíceis.

Se somos provados é para que possamos crescer e alcançar novos níveis. Quando provados, temos sempre três opções: ser aprovados, ser reprovados, ou permanecer na provação por tempo indeterminado.

Acredito que provações são situações de intensa pressão, seja por alguma condição física, espiritual ou emocional adversa, porque nós dificilmente conseguimos controlar nossas reações em situações assim. Ou seja, se você está sob pressão, não dá pra fingir ser alguém que não é. Na hora da prova, ou você tem as respostas certas ou não as têm. Se estou sob pressão, não consigo fingir um sorriso quando estou com raiva, não posso fingir ser amável quando estou cansada e irritada, não consigo fingir altruísmo quando o que há dentro de mim, na realidade, é egoísmo. Como Israel no deserto, na hora da dificuldade nós mostramos quem somos.

Sob pressão, decidi olhar para trás nesta semana e procurar o Senhor em minhas experiências extremas. Lembrei-me de duas ocasiões, situações muito parecidas, em que Ele esteve lá, com papel e caneta e perguntas a fazer.

Na primeira delas, vejo-me num acampamento de jovens em 2009, desafiada a participar de uma atividade em equipe. Como equipe, nosso desafio era cruzar um campo com nossos pés em lâminas de madeira e segurando cordas em nossas mãos. A cada passo que dávamos, uma dificuldade era acrescentada: um integrante da equipe que teria seus olhos vendados, outro que não poderia mais falar, um que andaria de costas e, finalmente, a líder deveria terminar o restante do percurso agachada.

Decidi ser a líder. Decidi que o melhor lugar para estar naquele momento era à frente, fazendo aquele grupo percorrer todo o caminho e chegar à linha branca do outro lado do campo. Decidi que poderia fazer aquilo. Não tínhamos dado mais do que quatro passos quando chegou minha vez de estar agachada e muda. Como alguém que não anda e não pode falar consegue liderar uma caminhada? Eu achei que podia… achei que podia SOZINHA.

Fora do acampamento, eu estava vivendo um momento espiritual de grande decepção e frustração. Deus tinha me entregado meu Isaque, algumas promessas pelas quais esperei por anos estavam acontecendo e, de repente, Ele me pedia para desistir de tudo e subir ao monte para sacrificar. Mas eu não queria subir ao monte e sacrificar! Queria viver minha promessa! Queria fazer as coisas do meu jeito e no meu tempo! Queria fazer aquilo!

Portanto, naquele retiro de Carnaval em 2009, eu estava oficialmente chateada com Deus, estava com raiva d’Ele. Agachada e já sem forças, percebi quando, gentilmente, Ele sentou-se ao meu lado e ofereceu-se para ajudar com aquelas questões. Poderia responder a prova comigo, moldar minhas reações. “Deixe-me ajudá-la”, disse-me. “Eu tenho as respostas. Apenas confie em mim”.

Cada passo, naquele campo, além de ser um esforço físico muito maior do que teria condições de suportar, era um grito espiritual. A cada passo, eu gritava para Deus: “Não! Eu não vou Te deixar assumir o controle! Não!” Gritei o quanto achava que Ele estava errado, o quanto odiava suas provas, o quanto Ele estava sendo injusto fazendo-me passar por aquela dor, o quanto estava decepcionada com Ele por me pedir para sacrificar meu Isaque, minha promessa, meu sonho, meu ministério, o quanto não precisava d’Ele para fazer as coisas acontecerem em minha vida, o quanto eu não precisava de ninguém!!!

Enquanto gritava, dentro de mim Ele sussurrava: “Não por força ou por violência. Pelo meu Espírito… pelo meu Espírito”.

REPROVADA, precisei ser retirada da atividade carregada, com todos os músculos de meu corpo travados. A partir dali, eu e Deus estávamos de mal, decidi. Mais de um ano se passou para que resolvêssemos o conflito e voltássemos a conversar como antes. Ainda hoje, quando penso naqueles dias, fico sem palavras. Não os entendo completamente e quase nunca falo sobre eles.

Mais de dois anos se passaram e outra vez estava o Senhor diante de mim com o mesmo teste. Entrei na sala de aula, Ele veio até mim com papel e caneta e, no topo da folha, a mesma pergunta difícil: “Você está disposta a sacrificar o seu Isaque?”. Agora com outro grupo, mas nas mesmas condições extremas de um acampamento / treinamento, minha equipe foi desafiada a atravessar um percurso em condições adversas – um membro da equipe com os olhos vendados, outro que não podia falar, outro correndo com um pé só.

Dispus-me a percorrer aqueles 2 Km andando com um pé só. Como cenas de um filme, as lembranças da experiência anterior voltaram e já não era mais uma simples atividade sobre trabalho em equipe. Era a MINHA QUESTÃO com Deus. Eu estava disposta a entregar-me completamente a Ele e seguir Seu tempo, Seu caminho, Sua vontade? Estava disposta a dizer “com Isaque ou sem Isaque, com promessa ou não, eu te seguirei por toda a minha vida”? Ou mais uma vez tentaria fazer as coisas acontecerem por minhas próprias forças? Mais uma vez tentaria atravessar sozinha?

Diferente da experiência anterior, minha reação foi de humildade e minha resposta foi: “Sim, Senhor. Se atravessares comigo eu irei. Se o Senhor não andar comigo não darei mais nenhum passo em direção nenhuma. Não importa onde ou como. Eu te servirei. Sim, Senhor. Faz em mim conforme Sua perfeita vontade”.

Lembro perfeitamente a dor no meu corpo naquele acampamento de Carnaval em 2009. Lembro-me dos dias que fiquei sem conseguir andar direito depois daqueles segundos em que todos os meus músculos atrofiaram. Lembro as madrugadas em claro, arrastando-me para voltar para Deus. Porém, a dor física da segunda experiência, na primavera de 2011, já não lembro mais. Sei que o percurso foi feito com lágrimas, com pedras em meu tênis cortando meu pé, com câimbras nas pernas. Mas quando penso naquele momento, não me lembro do esforço. Lembro-me de meu Senhor entrando na sala no fim do dia com um sorriso no rosto e minha prova em suas mãos. Lembro-me de segurar o papel com minhas mãos tremendo e ler em letras grandes e vermelhas: APROVADA.

E agora, caneta na mão, condições extremas, ansiosa, o coração acelerado e todas estas questões diante de mim, essas lembranças voltam com força. Paro e pergunto ao meu Mestre sobre os dois anos que separaram uma experiência da outra. Por que fui reprovada na primeira vez? O que mudou entre a primeira e a segunda experiência?

“O seu caráter”, Ele me responde, sempre gentil.

Coloco novamente os olhos em minha prova e, com muita segurança, posso escrever a resposta para a primeira questão. Lucas 1.38: “Aqui está a serva do Senhor. Que se cumpra em mim conforme tua palavra”.

Harpenden, Inglaterra

01.02.2013

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