espiritualidade e vida cristã

Igreja, igreja querida!

Dedico este texto à minha irmã, que luta com perseverança para melhorar o que pode e, quando não pode, ora para aceitar o que não consegue entender. Sua fé segue sendo exemplo para mim, quando tantas vezes já perdi a esperança, cansei de trabalhar por mudanças e quis desistir.

E a todos aqueles, feridos em nome de Deus, sobreviventes, os quais, junto comigo, continuam acreditando na comunidade universal dos que foram chamados para fora.

igreja

Nunca antes vi numa palavra tantas contradições: Igreja, a instituição; igreja, o agrupamento de pessoas que creem no mesmo Cristo, no mesmo Deus, em seu Espírito. Com letra maiúscula ou minúscula, já não posso pensá-la sem suas incoerências, sem suas falhas e grandezas, tudo ao mesmo tempo.

Ah, igreja! Em seu nome, profetas foram mortos, ergueram-se cruzes e fogueiras. Por sua causa, fizeram guerras e destituíram reinos e nações, cruzaram fronteiras, descobriram mares. Ainda hoje, por ela se levantam bandeiras, nem sempre de paz. Mas também em seu nome comunidades inteiras são transformadas – sim, para melhor!, e o Nome que está acima de todos é anunciado aqui e acolá, trazendo vida, alegria, esperança e novidade onde já não havia nada, transformando Cristo em corpo.

Igreja, o exército que deixa para trás seus soldados feridos e mata os que não lhe são mais úteis. Igreja, o exército que salva e continuará salvando milhares – milhões!, da insignificância, da ignorância, da vida solitária e sem propósito. A comunidade dos que vivem a Grande Comissão. O palco dos protagonistas das maiores omissões.

Igreja, minha igreja! Noites e noites de sono perdido tentando vivê-la e melhorá-la. Cabe mais objeção numa palavra, numa história? Pois sim, sou uma sobrevivente desta instituição que resgata vidas e mata almas. Sobrevivi ao lugar onde fui salva. E amo-a com a mesma força que a odeio, já que por ela sou e não sou, quero e não quero, vivo e não vivo. Sentimentos contraditórios…

Sim, igreja!, por ti sofri todos os preconceitos, mudei meus preceitos, meu rumo, meu jeito de ser e falar. Por ti perdi amigos, ganhei irmãos. Por ti criei guerras, causei revoluções, cruzei mares, vesti fantasias, pintei a cara, gastei meus anos, cantei alto, bem alto, com toda a força de meus pulmões. Oh, igreja! Tantas dores e abusos que nem posso contar! Tantas alegrias, momentos de festa e comunhão impossíveis de esquecer ou apagar! Onde conheci as melhores pessoas… e os piores indivíduos. Onde me esvaziei de minha identidade e encontrei-me com quem realmente sou e com Aquele que me criou para ser. Onde me perdi e vaguei sem rumo, mas segura, até ser por Ele reencontrada.

Igreja, igreja, minha dor! Quero esquecê-la, ser indiferente a você, deixá-la para lá. Não!!! Quero transformá-la, reformá-la, defendê-la. Ora quero ser sua propagadora, festejá-la entre os que não te vivem; ora quero que se apague de minha história tudo que se refere a ti. Não me falem, não me convidem, não compartilhem comigo!

Ah, igreja, necessária igreja! Sou tão parte de você quanto és de mim. Não importa onde, não importa quando, com quem. Já conheço seus “como’s”. Experimentei-a com diversos nomes e indicações, interpretada nas centenas de culturas. Ainda assim, não compreendo este lugar em que me reúno com os chamados para fora, os mesmos que tantas vezes não conseguem romper e sair de dentro.

Igreja, oh igreja! Ando decepcionada contigo, porém jamais deixo de te acreditar. És tão humana! Não posso esperar de ti além do que é, ou faz. És tão divina! Pela causa d’Ele, agora que te vi, por ti eu grito e sou responsável. Te crer e não te viver é uma fé morta.

Faxinal dos Guedes – SC, maio de 2013

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