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O que fizemos de errado?

Fazendo algumas leituras sobre Reino de Deus e Cristianismo no ocidente, deparei-me com este texto de Landa Cope, do livro Modelo Social do Antigo Testamento. Landa é uma missionária de JOCUM que atuou nas últimas décadas em grandes movimentos de conversões em massa em todo o mundo. Porém, num momento, percebeu que o Cristianismo não estava fazendo a diferença que ela acreditava que faria.

Neste texto, ela conta de como chegou a essa conclusão e mostra alguns fatos sobre um Cristianismo que não está dando totalmente certo. Na continuidade do livro, ela faz uma análise de onde erramos e como podemos consertar esse erro buscando na Bíblia o modelo perfeito de sociedade que Deus pensou para nós. Incentivo à leitura de Modelo Social do Antigo Testamento!

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Estava distraidamente mudando de canais, zapeando por dezenas de programas de TV só para passar o tempo, quando vi um jornalista britânico dizer que os cristãos acreditam que são capazes de influenciar para melhor a comunidade onde vivem. Ou seja, quanto maior a presença de cristãos, maior o benefício para a sociedade como um todo. Concordei imediatamente com o comentário, afinal, isso é exatamente o que eu prego.

Porém, ele continuou, e propôs que déssemos uma olhada na cidade mais evangélica dos Estados Unidos da América para que pudéssemos observar como essa influência cristã estava funcionando na prática. Ele definiu “evangélica” como a comunidade que possui a maior porcentagem de cristãos que frequentam a igreja protestante regularmente. (Uma boa definição conservadora para “evangélica”). Segundo essa definição, Dallas, no estado do Texas, era a cidade mais evangélica do país naquele momento. Mais pessoas per capita estavam na igreja a cada Domingo naquela cidade que em qualquer outra norte-americana.

Dallas possui milhares de igrejas e a grande maioria está sempre lotada. Nosso jornalista propôs, então, que analisássemos os índices sociais da cidade para descobrirmos como a “benção cristã” estava funcionando, na prática, naquela comunidade. Foram apresentados estudos e estatísticas variadas que incluíram crime, segurança nas ruas, reforço policial, justiça e sistema penal. Áreas como: sistema de saúde, hospitais, emergência, doenças contagiosas, índice de mortalidade infantil e assistência social também foram incluídos. Avaliaram o setor da Educação, os níveis das escolas, da segurança, as estatísticas das notas escolares e a Graduação. Empregos, moradia e distribuição de renda em geral, também foram avaliados. E possível arrumar emprego? Conseguir moradia? A perspectiva de salário corresponde ao custo de moradia? Avaliaram ainda a situação dos desabrigados e dos programas de ajuda aos carentes. Existe igualdade independente de cor, crença e nível econômico? E assim por diante…

Cada uma dessas categorias foi analisada com base em fatores econômicos e raciais. O apresentador avaliou estatísticas e informações que você se preocuparia em olhar se estivesse escolhendo um lugar para criar seus filhos. Meus filhos estarão seguros nas ruas? Terão uma educação respeitável e segura? Vou conseguir prover casa, roupa e comida para minha família? Meus filhos estarão diretamente expostos a drogas ou a outras influências destrutivas? Estarão relativamente protegidos de doenças? Se ficarem doentes, existe atendimento médico adequado? Posso conseguir um auxilio justo do sistema judiciário? A polícia está igualmente interessada em nossa proteção? E isso tudo funcionaria bem para mim, independente da minha cor, nacionalidade ou da minha crença?

O programa teve por volta de uma hora de duração e eu estava assistindo sozinha. Quando o meu apresentador britânico encerrou seu estudo sobre Dallas, eu estava arrasada. Ninguém desejaria viver em uma cidade com aquelas condições. O crime, o sistema social falido, as doenças, as discrepâncias na Economia, a injustiça racial, tudo desqualificava aquela comunidade no quesito qualidade de vida adequada. E essa era a cidade mais evangélica dos Estados Unidos. Eu queria chorar.

O programa ainda não tinha acabado. O apresentador, então, levou aquela imagem devastadora de uma comunidade doente para os líderes Cristãos locais e pediu para que fizessem seus comentários. Ele escolheu pastores de prestígio e de integridade. Ele escolheu o tipo de líder cristão que outros cristãos respeitam. Cada pastor, um de cada vez, tomou conhecimento dos mesmos fatos que eu tinha acabado de descobrir com relação às condições da cidade deles. Com simplicidade, o narrador perguntou a cada um:

– Como um líder cristão, qual a sua explicação para as condições que sua comunidade apresenta?

De maneira diferente, mas sem exceção, todos disseram a mesma coisa:

– Isso não é meu problema, eu sou um líder espiritual.

O programa acabou, o quarto ficou em silêncio e meu mundo começou a desmoronar. Passei muitos dos meus anos de trabalho como missionária respondendo críticas ao Cristianismo, especificamente aquelas vindas da mídia (o que geralmente não é muito difícil, já que suas acusações são frequentemente mal informadas ou mal formuladas). No entanto, se esse jornalista tivesse me dado o microfone para que eu fizesse um comentário ao final do programa, teria ficado muda. Eu estava em estado de choque. Eu estava sem argumento contra o caso que ele tinha acabado de apresentar. Nós cristãos declaramos que nossa fé, se for posta em ação, pode influenciar a Sociedade para o bem. E vamos além… Tenho escutado e ensinado que é necessário somente 20% de uma sociedade com o mesmo ideal para que possa influenciar e até liderar os outros 80% numa determinada direção. Ensinamos que o Evangelho é bom para uma sociedade e que seus princípios abençoam, até mesmo, aqueles além da nossa crença. Os fatos sobre a cidade de Dallas, porém, não sustentavam essa declaração. Dallas possui consideravelmente mais que 20% de cristãos comprometidos. Temos de olhar para os fatos! Podemos dizer que essa cidade representa a herança da influência cristã?

Eu estava explodindo com perguntas e implicações sobre o que eu tinha acabado de ouvir. Por que não fui honesta o suficiente para enxergar a discrepância entre meus ensinos e os resultados visíveis ao meu redor? Por que foi preciso um não crente para me fazer enxergar tudo isso? Como é que nós, líderes cristãos, podíamos dizer que qualidade de vida não era problema nosso? Se o Evangelho tem mesmo essa força para influenciar toda a sociedade, como poderiam os Estados Unidos da América, em que, neste momento da sua historia, possuem o maior número de cristãos per capita, estar se desviando dos valores bíblicos em todas as áreas de sua sociedade? Crime, imoralidade, pobreza, corrupção, justiça, doenças, drogas, falta de moradia, alfabetização e mais? Como é que eu e a infinidade de cristãos comprometidos que conheço, não percebemos isso antes? Como podíamos não ter julgado nosso desempenho e percebido nossa falha?

Landa Cope, no livro Modelo Social do Antigo Testamento, disponível para leitura on-line no site do Scribd (pt.scribd.com)

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