dicas · resenha de livro

Sejam transformados pela renovação

No outono, as folhas se desprendem das árvores e anunciam a chegada de uma estação de renovo. Assim somos nós. De tempos em tempos, é bom parar, rever nossa teologia e nos desprendermos dos velhos conceitos em prol de um renovo de entendimento. Diz Paulo que daí vem a nossa transformação. Em tempos como esse, livros e reflexões tendem a ser os melhores companheiros. A companhia da vez é Ariovaldo Ramos. E o post de hoje é dedicado a comentar um de seus livros, Nossa Igreja Brasileira, da editora Hagnos.

Conheci Ariovaldo pessoalmente numa conferência de JOCUM. Logo percebi em sua mensagem e missão de vida exatamente o que procurava para minha nova estação. Defensor da Teologia da Missão Integral, muito próxima da Teologia da Libertação, no livro em questão, Ariovaldo faz um desabafo de suas dores com a igreja de nosso país. Porém também nos enche de esperança, a todos nós, tomados pelas mesmas decepções. Olhando pro que se tornou a propagação do evangelho no Brasil – um evangelho mercadológico, midiático e totalmente antibíblico, quantos de nós já não tivemos vontade de gritar “Não quero mais ser evangélico. Quero voltar para Jesus”? Pois há muito Ariovaldo está gritando. Mas não só grita. Em vez de desistir da igreja, levanta-se para transformá-la, torná-la mais relevante socialmente e agente de anunciação do Reino.

nossa_igreja_brasileira_g

 

Uma das passagens mais felizes do livro, para mim, é quando questiona se o crescimento evangélico no Brasil realmente está fazendo diferença, pois as igrejas que crescem são exatamente aquelas que mais estão longe do real evangelho. A conclusão dele é que, apesar de tudo, estamos colocando a palavra de Deus nas mãos das pessoas. E nós nunca podemos prever a influência que a Bíblia, por si mesma, pode ter.

Embora algumas partes do livro parecem totalmente deslocadas do restante – como a parte em que fala de cuidado missionário, que, a meu ver, daria outro livro, mas de certa forma também é mais um sinal de despreparo de nossa igreja; também dos momentos em que temos a sensação de estar lendo uma obra humanista em essência; ou do enfoque crítico mais do analítico; mesmo ainda da necessidade de revisão ortográfica (problema característico de várias editoras cristãs brasileiras), a leitura é obrigatória a todos os famintos por uma teologia mais saudável. Afinal, nas palavras de Ariovaldo, alma também se alimenta de teologia. E se ela não for boa e não se renovar, a gente morre.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s