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aprendendo com Lourenço

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Um amigo indicou-me este livro quando estava na Inglaterra, talvez por perceber-me triste, quando Deus estava fazendo tanto por mim. Ele errou no título do livro, e acabei não encontrando, na época, este clássico da literatura cristã.

O livro é “A prática da presença de Deus”, com cartas e conversas do Irmão Lourenço, um monje Carmelita que viveu na França no século XVII. Buscando a Deus pra enfrentar suas “perturbações de espírito”, ele acabou descobrindo o segredo pra uma vida de alegria e contentamento.

Hoje, no intervalo de almoço, correndo os olhos pela biblioteca do Pr. Paschoal, encontrei este livrinho, um tesouro de pouco mais de 70 páginas e 1 hora de leitura. Mal sabia eu estar ali a descrição de muitos dos meus sentimentos, as palavras de alguém que começou experimentando a mesma insatisfação e ingratidão, mas terminou seus dias em plenitude. Qual o segredo?

A vida cristã, como Irmão Lourenço a descreve, é simples. Simples como amar a Deus em todos os momentos e não nos preocuparmos com o resto. Simples como declarar todos os dias “Sou teu, faça em mim o que quiseres” e ter um Deus amoroso repousando em seu coração, presente a todo o tempo no mais profundo da alma. Simples como fazer do dia a dia uma conversa constante e prazerosa com Ele, deixando-o ser parte de tudo e saber de tudo. Simples como entender que “uma vida vai tão longe quanto o é sua prática devocional”.

Porém, nós nos preocupamos, e complicamos. Eu me preocupo, e complico. Essa vida de total entrega e confiança cega, confesso, é pra mim o mais difícil de alcançar. Que anseio calar a ansiedade, a mente inquieta, e poder dizer: “Eu não sei o que vai ser de mim. Parece que uma alma tranquila e um espírito suave sempre vêm sobre mim enquanto durmo. Porque estou em descanso, as aflições da vida não me trazem sofrimento. Não sei o que Deus tem preparado para mim. Mas sinto-me tão sereno que isso não importa. Do que devo ter medo, se estou com Ele?”

Ainda agora, entro numa dessas complicações: saber que a alegria e satisfação completas estão em viver no centro da vontade do meu Amado, estar vivendo nesta vontade, mas não encontrar nela plenitude. “A nossa fé é muito fraca”, diz Lourenço. “Em vez de direcionarmos nossa vida por nossa fé, somos guiados cada dia por nossas orações mecânicas e insignificantes”, ideias de que com isso ou aquilo vamos agradar mais a Deus, quando a presença constante d’Ele é tudo o que importa. Uma comunhão, além de todas as obrigações, e “a alma poderá conservar sua paz interior”.

E, se ser insatisfeito é parte de sua constituição, como é da minha, até mesmo no ofertar a Deus não há suficiência. Querer dar mais, fazer mais, oferecer melhor, ir mais longe… Lourenço conforta-me e aquieta-me: “não é necessário ter grandes coisas para fazer. Eu viro a minha pequena omelete na panela do amor de Deus; quando ela está pronta, se eu não tenho nada para fazer, prostro-me no chão e adoro ao meu Deus, que me dá a graça para fazê-lo; depois, levanto-me, mais feliz do que um rei. Quando não posso fazer coisa alguma, é suficiente para mim ter erguido do chão uma palha, se o fiz por amor a Deus”.

“Quando não posso fazer coisa alguma”… e eu, por mais que anseie tantas vezes fazer tantas coisas, hoje, não posso fazer coisa alguma, ou só coisas mínimas aos meus olhos. Mas “a insignificância da obra não diminui o valor da oferta. Deus não precisa de coisa alguma! Ele considera, em todo o nosso trabalho, o amor que o acompanha, aqui e agora” […] “Não é um caminho muito mais curto e direto fazermos tudo pelo amor a Deus do que fazer uso de tudo o que a pessoa conquistou na vida para, então, mostrar a Ele aquele amor?”

Porque fui abençoada com a leitura, coloco uma parte do livro em anexo: A Prática da Presença de Deus. Oro pra que as palavras, e a simplicidade de Lourenço, possam alcançar você, como me alcançaram. Oro pra que todos os dias eu descubra mais uma vez este segredo: “Não há maneira mais doce de viver no mundo do que estar constantemente em comunhão com Deus”.

 

Curitiba – PR, 18.05.2014

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