espiritualidade e vida cristã

nova criatura, um estranho no espelho

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“Portanto, se alguém está em Cristo Jesus, é nova criatura. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas” 

Apóstolo Paulo, em 2 Coríntios 5.17

Não sei se você já teve esta sensação…

Às vezes, você passa muito tempo tentando mudar algo em você, um aspecto de seu caráter que está um pouco distorcido, um comportamento que não deveria está lá, um ‘eu’ cheio de medos e inseguranças, algo muito aquém da pessoa que o Criador o desenhou pra ser.

Sei como é. Olhei no espelho por longo tempo apenas pra ver dor e depressão, falsas marcas de uma identidade criada pra ser plena. Apesar de não serem queridas, acabamos nos tornando íntimas, eu e elas. Há tantos anos trabalhando juntas, aprendendo a entender uma a outra, convivendo bem de pertinho, dia a dia, estação após estação.

Deve ser assim também com algumas de suas emoções, aquelas, indesejadas. Você sabe quando elas vêm, sabe das reações que trazem consigo, aprendeu a lidar com elas, cuidar delas, não deixá-las chamar muita atenção numa sala cheia de pessoas, diminuindo os riscos de entregarem seu ouro, expor sua maior fraqueza. É verdade, elas não surpreendem mais.

Então, num dia qualquer, sem aviso prévio ou grandes despedidas, você acorda e elas foram embora. A fraqueza que o incomodava tanto não está mais lá. No lugar, um novo ‘eu’, por quem lutou-se muito, mas que não se imaginava viver pra ver. Você olha no espelho e saúda um estranho. Sorri pra ele, ele sorri em retribuição. Há algo ali muito antigo, e muito novo. Tudo que deveria ser e agora é, ou quem sabe já era antes, e não sabia.

Não sei se você já teve esta sensação… de não saber ao certo como lidar com esta ‘nova criatura’, sentir-se um pouco perdido sem o antigo ‘eu’, mas empolgado com as surpresas que o novo pode trazer. É a plenitude de quem você é em Cristo, este reflexo de agora. E, apesar de não conhecê-la bem, vocês já morrem de amores um pelo outro e não veem a hora de se tornarem os melhores amigos.

“Tarde Vos amei,
ó Beleza tão antiga e tão nova,
tarde Vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim,
e eu, lá fora, a procurar-Vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo e eu não estava Convosco!
Retinha-me longe de Vós
aquilo que não existiria,
se não existisse em Vós.
Porém, chamastes-me,
com uma voz tão forte,
que rompestes a minha Surdez!
Brilhastes, cintilastes,
e logo afugentastes a minha cegueira!
Exalastes Perfume:
respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós.
  Saboreei-Vos
e, agora, tenho fome e sede de Vós.
Tocastes-me
e ardi, no desejo da Vossa Paz”

– Agostinho de Hipona

Curitiba, 01.06.2014

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