espiritualidade e vida cristã · missio dei

Justos entre as nações

Texto inicialmente publicado em PIB Curitiba.

“Então os justos brilharão como o sol, no Reino do seu Pai”

(Mateus 13.43)

No Monte da Recordação, em Jerusalém, fica o Museu da História do Holocausto. Dedicado a lembrar os judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial, é o maior arquivo do mundo sobre o tema. Saindo do museu, um longo corredor leva à Avenida dos Justos Entre as Nações. Ladeada por árvores, essa avenida é dedicada aos não judeus que ajudaram judeus a escapar do horror do Holocausto. Antes de o museu ser reformado, em 2005, no corredor ficava o Saguão da Lembrança. Com paredes de pedra, escuro e vazio, tinha cravados no chão os nomes de 22 campos de concentração. Alguns visitantes relataram a experiência de conhecer o lugar como estar andando nas trevas em direção à luz: o brilho do sol lá fora, na Avenida dos Justos.

Em cada uma das 20 mil árvores da avenida há uma placa com o nome da pessoa homenageada. Numa delas, lê-se o nome de CorieTen Boom. Holandesa, de uma família cristã reformada, criou em sua casa um refúgio secreto para os judeus, salvando milhares de vidas. Foi presa num campo de concentração e condenada à mortepor isso, mas escapou com vida e dedicou seus anos a falar de perdão e reconciliação aos seus agressores. Uma voz no silêncio, um feixe de luz resplandecendo na escuridão.
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Como ela, muitos outros nomes de “justos entre as nações” aparecem na história. Cristãos movidos por diferentes causas, todos trabalhando pelo mesmo Rei. Nomes que talvez você conheça, como o do Irmão André, sentando com terroristas da Jihad para falar-lhes da paz que só há em Jesus, ou de Dietrich Bonhoeffer, mártir da Segunda Guerra Mundial por defender princípios cristãos. Outros podem ser desconhecidos: Paul Schneider, preso numa cela isolada porque não ficava quieto em relação às atrocidades do regime nazista, e executado em 1938, num domingo de Páscoa; Greg Mortenson, construtor de escolas para meninas no Paquistão e Afeganistão, onde só meninos têm direito à educação nas madrassas fundamentalistas islâmicas; ainda, John Perkins, no sul dos Estados Unidos, criando oportunidades para os negros num tempo em que só tinha sua dignidade respeitada quem era branco; ou o Dr. Paul Brand, dedicando toda a vida para aliviar a dor e a infelicidade de leprosos na Índia.

Todos eles gritos, vozes que escolheram não silenciar diante das injustiças do mundo de sua época. Pequenos feixes de luz, brilhando nas trevas, embora as trevas não os compreendessem (Jo 1.5). Todos eles agentes do Reino de Deus na terra, comprometidos em anunciar as boas novas de um Evangelho que deixa uma marca de luz e transformação por onde passa. Quando o Evangelho verdadeiro chega, as injustiças devem cessar, todos são tratados com dignidade, como filhos e filhas do Pai. Há restauração nas famílias, a economia muda, a educação prospera, a saúde, a política, a mídia, as artes, etc e etc. Às boas novas da salvação seguem-se gritos de justiça, paz e alegria (Rm 14.17).

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Porém, se os justos calam, ou se seus gritos são solitários, as trevas permanecerão escuras. Corie Tem Boom sozinha salvou algumas centenas de judeus. Onde estavam todos os outros feixes de luz? Se outros tantos também tivessem gritado, talvez não tivesse acontecido o Holocausto, ou o maior genocídio da história – na Ruanda em 1994, quando quase um milhão de pessoas foram mortas pelos seus próprios vizinhos um dia depois de comemorar o dia do amor cristão no país. Fato é que por todo o mundo há injustiças, conflitos, problemas acontecendo. E por todo o mundo está a igreja, existindo no meio desses problemas, para ser luz. Se a igreja tem voz, se eu, que sou igreja, me levanto como uma voz, o sol brilha para apagar as trevas.

Agora mesmo, no Brasil, estamos indo às urnas cheios de esperanças de mudar nossa nação. Queremos uma nação melhor. Mas, como diz aquela antiga canção do Rebanhão, “não se acende a luz do sol nos 220 volts dos palácios de Brasília”. Nem todas as mudanças que queremos ver virão da ação do governo. Nós, cristãos, carregamos as melhores notícias: as do Evangelho do Reino! Nós temos a responsabilidade e a escolha de sermos uma voz aqui e outra ali, gritos na sociedade, gritos dentro da própria igreja, carregando essas boas novas de salvação, de justiça, paz e alegria. Anônimos, trabalhando sem esperar reconhecimentos ou recompensas. Justos na nossa nação, dispostos a, mais do que simplesmente sair às ruas para gritar sem saber exatamente o porquê, acender feixes de luz onde encontrarmos as maiores escuridões. Então, justo do Senhor, qual será o seu grito? Onde sua luz vai brilhar?

“Você, porém, vá e proclame o Reino de Deus” (Lucas 9.60)

Curitiba, outubro de 2014

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